sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Novas tecnologias ajudam surdos em tarefas do dia a dia




No Brasil, 45,6 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência, o que representa 23,9% da população. Desse universo, em 2010, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 9,71 milhões declararam-se com algum tipo de deficiência auditiva. Nos últimos anos temos visto a tecnologia trabalhar a favor da inclusão de portadores de diferentes deficiências.

Foi por meio de um aplicativo para dispositivos móveis que três brasileiros encontraram uma solução digital para a inclusão social daqueles que, para se comunicar, dependem da Língua Brasileira de Sinais (Libras). O aplicativo Hand Talk (Mãos que Falam, em português) promete acabar de vez com algumas barreiras na comunicação com deficientes auditivos.

Outro pesquisador brasileiro elaborou um programa que chama a atenção de surdos, transformando o celular em uma espécie de ouvido que identifica quando o nome do usuário é chamado. O programa usa um sistema de reconhecimento de voz, e quando é instalado no telefone móvel, emite sinais vibratórios e luminosos ao perceber que o nome do usuário foi pronunciado.

O inventor Marcos Sodré, graduado em Tecnologia de Informática, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), conta que a ideia surgiu a partir da observação do universo que está ao redor dos surdos. A partir daí  decidiu desenvolver o projeto em seu mestrado. “Notei que não existia um dispositivo que facilitasse a vida de pessoas que sofrem com surdez em uma situação simples e corriqueira, como alguém chamando o seu nome. Outros recursos utilizados para isso são o uso da língua de sinais, a leitura labial e o toque no ombro. Quis buscar algo que complementasse e fosse ainda mais eficiente que essas técnicas”, conta.

O aplicativo recebeu o nome de TAADA (Tecnologia Assistiva para Auxílio ao Deficiente Auditivo). Testes realizados mostram que o sistema funciona em uma distância de até cinco metros em locais internos e externos, suportando determinados níveis de ruídos. Quanto mais silencioso estiver o local, maior a possibilidade de um reconhecimento de voz mais adequado.

Com a facilidade atual de se obter um smartphone, o TAADA tem a proposta de auxiliar os surdos e quem convive com eles, estreitando as formas de contato e comunicação. O aplicativo está em fase de finalização mas representa, sem dúvida, um grande avanço.

Outro dispositivo que ajuda em uma tarefa simples, como acordar, é o Wake Up Deaf (ou “despertador de surdos” em português). Criado pelos engenheiros Orlan Almeida e Paul Holdel, que residem no Distrito Federal, o aparelho tem a função de apenas vibrar. Pode parecer simples, mas para quem não ouve, faz uma enorme diferença.

Erasmo Carlos Cândido da Silva Júnior

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