Unifor
gradua primeira cineasta surda do Ceará
Aluna do curso de Audiovisual e Novas Mídias
termina graduação apresentando um videodocumentário sobre educação inclusiva
para o surdo.![]() | ||
| Yanna Luisa Timbó realizou, em seu TCC, um videodocumentário sobre o tema educação inclusiva para o surdo (Foto: Ares Soares/Unifor) |
No dia 3 de julho, o curso de
Audiovisual e Novas Mídias da Unifor formou a primeira cineasta surda do Estado
do Ceará. Yanna Luisa Timbó realizou, em seu trabalho de conclusão de curso
(TCC), um videodocumentário sobre o tema educação inclusiva para o surdo. Yanna
roteirizou, dirigiu e atuou na linha de frente do videodocumentário, que tem
cerca de 10 minutos e é bilíngue por ter áudio em português e tradução para
libras. O fato, inédito na história do audiovisual cearense, é de grande
relevância nacional.
Segundo a coordenadora do curso
de Audiovisual e Novas Mídias da Unifor, professora Ana Quezado, trata-se de
uma conquista louvável da aluna, como também de todos que fazem o curso de
Audiovisual e Novas Mídias da Unifor. “Hoje, no Brasil, apenas 1% dos surdos
chegam ao ensino superior. E, quando chegam, muitos desistem, até porque o
contexto universitário é desafiador para qualquer jovem. No caso da Yanna,
houve plena integração dos estudantes, dos professores e dos funcionários da
Unifor para o desempenho das atividades acadêmicas dela. É claro que as
características dela como aluna também contribuíram para esse desenvolvimento,
como autonomia e relações interpessoais harmoniosas”, conta. “Vencidos todos os
desafios, principalmente num curso de Audiovisual, a Unifor forma a primeira
cineasta surda do Ceará, o que demonstra o seu compromisso com a educação
inclusiva”.
A estrutura da Unifor também foi
um diferencial para o êxito da aluna. Através do Programa de Apoio
Psicopedagógico (PAP), a Universidade disponibiliza um intérprete de libras
para que todas as aulas sejam acompanhadas por quaisquer alunos surdos. “Essa
mediação é importantíssima para que estudantes surdos não desistam dos cursos
superiores. É importante lembrar que, durante os quatro anos, os docentes do
curso de Audiovisual e Novas Mídias se preocuparam em fazer adaptações dos
conteúdos para favorecer a aluna”, explica a coordenadora.
A difícil audição de Yanna é
congênita, a superação nos desafios da vida foi diária, com a ajuda de
familiares e profissionais da saúde e da educação. Bilíngue em libras e
português, a aluna diz que com estudos não teve maiores problemas, mas que
chegou a sofrer bullying diversas vezes. “As amizades eram poucas, pois apesar
de usar o aparelho auditivo e o implante coclear, minha voz não é muito boa.
Porém, os que têm uma maior sensibilidade conseguem conversar comigo”, pondera.
Sobre seu TCC, a aluna conta que a escolha do tema, educação para surdos no Ceará, foi fácil, por sua própria vivência. “Faço parte, literalmente, do projeto, por ter exposto minha vida, meus sofrimentos e agora estar aqui, realizada e vitoriosa, apesar de tudo”.
De acordo com o professor Valdo
Siqueira, orientador do TCC de Yanna, o videodocumentário de Yanna busca
dialogar com o indivíduo surdo, mas também com aquele que entende libras e, é
claro, com todos que são ouvintes. “O trabalho de Yanna busca estabelecer
diálogo com todos acerca das questões pertinentes à educação inclusiva. Mais em
específico sobre a educação para surdos. No momento em que o curso Audiovisual
e Novas Mídias forma sua sexta turma, torna-se surpreendente para todos nós,
professores do campo cultural, a graduação de uma aluna especial: surda. Nos
parece que este fato é um denotativo do alcance inclusivo que a atividade
audiovisual pode ter. O campo amplia as possibilidades do indivíduo, o faz
superar quaisquer limitações, até biológicas”, acredita.
Postado por Rosemeire Oliveira de
Freitas

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